terça-feira, 6 de novembro de 2012

Do cair quando se está aprendendo a andar

Toda criança, ao dar os primeiros passos, experimenta também a sensação da queda. Vai uma perninha, depois a outra perninha e quando acha que tá tudo bem, quando tá confiante, acaba dando um passo maior e BUM! Estabacou-se no chão. Das primeiras vezes a criança chora, perde a coragem, acha que não consegue. Mas aí levanta e tenta de novo. E certamente vai cair de novo, e levantar de novo, até conseguir. Até andar sozinha, sem ajuda da mão da mãe, sem ajuda do anda-já ou qualquer outro recurso que venha em auxílio. O importante é só não se alarmar. It's not a big deal. Cair faz parte do processo: o que não dá é pra se assustar e não querer andar mais, nunca mais.

Tô nessa. Como renasci há pouco tempo, às vezes caio. Hoje caí. Por conta de uma foto, olha só. Caí e caí bonito, ralei a bunda no chão e por ora tá doendo. 

Eu estive bem quebrada esses tempos. Bem quebrada mesmo. Mas fui me consertando aos poucos, com toda a paciência que aprendi a ter. Fui juntando de novo as peças, tirando o que não era importante, tentei azeitar a máquina o máximo que pude. Mas às vezes tem uma pecinha ali que emperra e faz desandar toda a engrenagem. Caí. A maior parte do tempo nem penso nessas coisas. A maior parte do tempo nem sinto nada. Mas às vezes, na hora mais silenciosa, quando o escuro é escuro mesmo, eu perco a confiança e a perna falha. Aí eu volto a sentir umas coisas. Não é amor, nem ódio, nem mágoa. É medo de nunca mais me consertar de novo. Medo de nunca mais conseguir andar por mim mesma. Medo, puro e simples. Fico com medo de nunca mais escrever nada que não esteja relacionado a essas dores que sinto, esses exércitos invadindo meu flanco esquerdo sem respeito nenhum pela terra que é minha. Medo de precisar voltar pra terapia por não conseguir falar nada sobre com alguém que me conhece e me vê de verdade por não querer parecer fraca. Porque né. Faz sentido nenhum guardar sentimento depois de tudo que aconteceu, seja o sentimento que for. Faz sentido nenhum chorar. Mas às vezes a gente dá um passo maior do que a perna, e cai. E perde um pouquinho da confiança. Mas é como eles dizem: it's not a big deal.

Me permito chorar, sabe? Choro cada lágrima quente que for preciso, pra depois enxugar o rosto e começar tudo de novo. Ainda tenho muito pra cair. Sinal de que tô crescendo. Enfrentando a contra-mola que resiste.

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