quarta-feira, 4 de novembro de 2009

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Normalmente quando digo "minha casa", me refiro à cidade na qual nasci e onde minha família mora. Quando digo "minha casa" me refiro à Brasília. E acabei de voltar de lá. Tirando as complicações de fuso horário (sim, meu dia hoje vai ter duas horas a mais) e o fato de sair do aeroporto direto para o trabalho (vida de executiva cansa...), voltar dessa vez não doeu tanto, até porque mais uns 40 dias e já estou por lá de novo.

Pois bem, na minha casa tem um cachorro da raça daschound, ou cofapinho, o Maylow. Ele é velho (já tem mais de dez anos, mas lembrar sua idade será um esforço surreal nesse momento), tem pelos brancos e é rabugento. É depressivo. Sim, eu tenho um cachorro depressivo. Deixa eu explicar.

Ele passa o dia perseguindo minha mãe pela casa. Juro. Pode ter mais milhões de pessoas ali dentro, ele só quer a companhia da minha mãe. E quando ela sai, ele chora. Choraminga e faz cara de quem quer morrer. Juro de novo. E não adianta fazer carinho, dar comida e o escambau, ele só vai ser feliz de novo quando minha mãe voltar.

Sou apaixonada por cachorros. Acho os seres mais adoráveis sobre a terra e me dói quando vejo um ser maltratado. Gente, sério, quem vai fazer mal a um bichinho desses? E esses dias em casa me fizeram pensar no quanto cachorros são companheiros. Por mais que os amantes de gato digam que cachorros são submissos, o oposto de seus bichanos independentes (que graça tem um bichinho de estimação que só vem atrás de você por comida?), eu digo quantas vezes precisar: cachorros são bróderes. Só o que exigem de você é um potinho com água e comida, um espaço para suas necessidades fisiológicas e um pouquinho de festa na cabeça vezenquando. Em troca, te amam incondicionalmente, ao ponto de ficarem verdadeiramente tristes quando você não está por perto. Velho, sério, tem gente que fico duas semanas, dois meses, dois anos sem ver e nem um "saudade de vc!" no orkut rola. Meu cachorro sente saudade quando vou até a garagem do prédio pra fumar, e fico cinco minutos fora. Quando abro a porta, lá está ele abanando o rabo furiosamente como prova de sua felicidade por eu ter voltado. Ele fica feliz quando alguém de minha casa vai sair pra caminhada porque ele sabe que vai passear também. Simples assim. Sem nenhuma nuance de relacionamento que envolve vontades alheias e personalidades humanamente genuínas.

Daí que hoje, ao desembarcar em Rio Branco, soube da minha sogra que o cachorrinho que mora lá na casa deles, da mesma raça que o meu, comeu a fiação do meu carro. Fiquei chateada? Claro que fiquei, afinal é um problema que vou ter de resolver. Mas sabe o que me doeu? Minha sogra dizer que vai se livrar do cachorro. Velho, doeu de verdade. Primeiro porque eu amo aquele pequeno, cachorros pra mim independente da idade serão eternamente filhotes. Segundo porque, embora entenda a chateação que causa o cachorro causar danos à casa, penso que não custa nada tentar descobrir o que faz desse serzinho tão arteiro, visto que não é da raça (como disse, é da mesma raça que o meu, e o meu se pudesse dormia o dia inteiro. Sempre foi assim. Sempre). Enfim. Passei a tarde pensando numa solução para o caso. Não posso levá-lo pra minha casa porque moro numa sozinha num apartamento minúsculo, e sei o quão ruim é ficar sozinha num apartamento minúsculo. Tampouco posso deixar que soltem ele na rua na esperança de que alguém o queira. Acho que vou fazer o que já devia ter feito há muito tempo: levar o bicho no veterinário.

Sei que parece meio Alicia (looney tunes feelings) esse post, mas eu preciso ajudar aquela criaturinha que toda vez que me vê fica feliz e falta morrer de alegria. Tudo por um cãozinho a menos na rua. Acho válido.

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Reaprendendo a blogar. Vou voltar a reclamar da vida, o universo e tudo mais por aqui. E sem apagar os posts, olha só.

E Brasília...Brasília é aprendizado, todas as vezes. E reafirmação, todas as vezes. E dessa vez, pela primeira vez, foi vislumbre. Do que eu quero e do que sei que pode ser.

Voltar à vida real nessa cidade quente cheia de situações e pessoas e coisas "xis" é difícil, sempre é. Vim de quase trinta dias de não fazer nada relacionado a trabalho, sem nenhum tipo de situação limítrofe, sem pessoas absurdas, só os que eu amo e que me amam e um vento frio todos os dias. E de repente despencar do aeroporto pro trabalho e pensar em todas as coisas que estão por vir, me dá um medo assim, ó. Mas tem nada não. A viver se aprende, sempre.

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